HISTÓRICO |
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PRESENTES DA SEMANA |
Lençóis revoltos... Horas a deriva...
As bocas por um fio ainda de saliva,
a ofegar...
Cortinas claras em nuança furtiva...
Dois olhares de forma doce e intuitiva
a indagar...
- Tudo do jeito como começamos:
na parede a mesma sombra vaga dos ramos
a embalar...
A rosa de um caminho que trilhamos
dilacerada nas carícias que trocamos
sem parar...
Mesma fragrância de camélia, esquiva...
Sensação meio presente e meio fugitiva,
de luar...
E um silêncio... Uma paz reflexiva...
Uma alegria insólita, constante, viva,
de te amar!...

Se surgisses assim... Num repentino dia,
o coração aberto, a alma luzidia,
um diálogo calmo à sombra de um coreto,
o giro musical de um carrocel repleto,
tua mão na minha mão roçando distraída...
Quantos balões subindo a tarde colorida...
Eu te amaria
como no primeiro dia da minha vida!
E mais tarde partisses, derradeiramente...
Olhar indecifrável, voz porém, tremente,
respondendo-me, apenas, a tristeza franca
as notas de um realejo e a face branca
de um palhaço que ri e aponta sem porque...
Um abraço incontido na hora sofrida...
Eu te amaria
como no último dia da minha vida!
Mas se voltasses numa hora silenciosa
pisando as folhas de uma estação penumbrosa,
de mãos aos lábios, olhos úmidos, sem jeito,
e uma surpresa imensa pulsando em meu peito...
Algo que não se define, que não se explica...
“Que bobagem a nossa...” – Dizendo o teu riso...
Eu te amaria
como se eu estivesse, então, no paraíso!...

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