HISTÓRICO |
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PRESENTES DA SEMANA |

Quando te despes, e eu te vejo nua,
quando o corpo te deseja e a alma te cultua,
longas mechas dos teus cabelos cheios
adornando as pontas rosadas dos teus seios,
peça por peça caindo sobre o chão
como as folhas lentas de uma outra estação...
Quando te despes, doce e langorosa,
e eu colho em teu perfume a alma de uma rosa,
cheia de mistério, silêncio e calma,
como se tu despisses também a tua alma,
numa penumbra azul que te acortina
feito uma gaze leve, revoante e fina,
eu como um fiel diante de um altar
a prece do teu corpo orando sem parar,
cheio de devoção e de delírio,
os teus lábios acesos como a luz de um círio,
algo ainda te veste, sutilmente:
teu colar delicado e a cruz do teu pingente...
Tudo de acordo, como o rito ideal
de uma lua-de-mel mística e celestial,
nesta hora sagrada, hora propícia
de saudades e de consumação fictícia...
Mesmo o silêncio, reverente, aquieta...
Fazes sonhar o homem, e enlouquecer o poeta!

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