HISTÓRICO |
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PRESENTES DA SEMANA |
A hora da saudade quando impera
não tem minutos e nem tem segundos,
é um pêndulo inclinado entre dois mundos,
um de recordações, o outro, de estranha espera...
Violetas à sombra de uma grade,
um frágil véu no ares, transluzente...
Tudo consola e ao mesmo tempo mente...
Só a lembrança é real, na hora da saudade!
Hora pesarosa e de frouxa luz,
graves matizes, meios- tons ligeiros,
um repicar tedioso, dois ponteiros
fazendo ritualmente um sinal-da-cruz;
hora de se querer mais, quem se quer,
hora de mais se amar quem muito se ama,
que uma lágrima aos olhos se derrama
e põe mais brilho num retrato de mulher,
hora em que as rosas pálidas gotejam
pétala após a outra sobre o chão,
hora de sombras num espelho vão,
hora em que os cortinados altos rumorejam...
E há um perfume de triste suavidade
numa carta pousada sobre a mesa...
E mais nítida te sinto, há certeza;
mais presente tu estás, na hora da saudade!

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