HISTÓRICO |
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PRESENTES DA SEMANA |
Horas aflitas em que a tua carta exala,
e uma doce canção ainda no ar medita;
há murmúrios na sala
quando o sopro da noite o cortinado embala...
Tudo na meia-luz de um lustre que levita
num giro de cabala.
Uma poesia canta ainda em suave escala
comumente, frizada numa rubra fita.
Um frasco cor-de-opala,
um rosado pingente... Tudo em ti me fala...
A tua imagem abre as pálpebras, me fita,
“Te amo!” me diz... E cala.
A minha mão nervosamente despetala
a rosa de um bom momento bem colhida...
O aroma de bala
da tua boca, ainda nos meus sentidos resvala,
bem como o fino véu da tua sombra despida.
Horas aflitas... Fala
de mim, de ti, também, numa penumbra rala,
a varanda com uma flor emurchecida.
E o amanhecer embala
sombras ainda ao meu redor... Sombras frementes
dos teus dias ausentes...

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