HISTÓRICO |
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PRESENTES DA SEMANA |
...E deito-me no silêncio, em vão...Tua moldura
vela-me a noite ainda com afeto;
ao lado um frasco do teu perfume dileto,
numa penumbra azulada, fulgura...
A noite é longa ainda. E um cortinado leve
guarda-me as horas com cumplicidade,
com a tenuidade de uma brisa leve
e a luz dos prismas altos da cidade...
Na parede branca, uma sombra vaga e louca
toma a forma suspensa dos teus seios,
semelhando um revôo dos teus cabelos cheios,
e o murmúrio noturno da tua boca...
E esta saudade que me fere e me angustia...
Esta incerteza atroz que me apunhala...
Tanta coisa de ti a tua ausência fala,
como presença suave, porém, fria...
E após, na madrugada, tudo se resume
num cortinado de clara nuança,
um retrato vago, uma nítida lembrança...
E um aroma sutil do teu perfume...

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